#adoteumcv

Histórias Quero ser adotada(o)

Cesar Coutinho

https://linkedin.com/in/cesar-coutinho-a81b1770

Auxilar Financeiro / Atendimento ao Cliente

Guarulhos, São Paulo

‘Há 26 anos eu tenho um sonho: ser auxiliar administrativo’

César Coutinho (44) encontrou a sua verdadeira paixão com 18 anos de idade, no dia em que fazia a limpeza de um escritório corporativo junto com a mãe dele. “Fui pegar o lixo em uma das salas e observei alguém organizando documentos. Algo nasceu dentro de mim, era isso que queria para o futuro”, relata. A vida de César não foi fácil. E esta não é uma história sobre meritocracia. É uma história real sobre um trabalhador brasileiro, de condição humilde, que luta incansavelmente por quebrar as barreiras do mercado de trabalho.
Mas, quem é César Coutinho? Qual é a história por trás do CV dele?
César Coutinho (44) nasceu em São Paulo, e atualmente mora em Guarulhos, no bairro Jardim Paraíso junto com seus dois irmãos. A primeira vez que ele ouviu a palavra “trabalho”, foi com 8 anos de idade. Na época, a mãe dele estava grávida do irmão caçula e o dinheiro não era o suficiente para comprar comida. “Minha mãe pediu para ajudar com reciclagem. E esse foi o começo da minha relação com trabalho”, conta ele. Esse foi o ponto de partida de uma longa jornada. Aos 14 anos, César começou a trabalhar como auxiliar de limpeza em uma pizzaria. Ele e a mãe eram funcionários terceirizados. César dividia seus dias entre a limpeza do local e ajudar os garçons. Com 18 anos de idade, ele trabalhava limpando um escritório. Foi naquele momento que ele descobriu sua vocação na vida.

Um dia, enquanto César pegava os lixos do escritório, ele se imaginou trabalhando lá. O sentimento foi tão forte e indescritível. “É isso que eu quero para a minha vida, trabalhar aqui”, pensou. Mas, como auxiliar de limpeza terceirizado as chances de conquistar esse sonho eram remotas. Então, ele decidiu abrir o coração com a mãe dele. “Falei para ela do meu sonho, e que precisava sair da limpeza e procurar uma oportunidade”, conta. A mãe dele entendeu, César largou a limpeza e começou a procura pelo sonho.
Três meses depois, as orações de César foram atendidas. Por indicação de um amigo, um jovem bateu na porta da casa dele. “Ele comentou que tinha uma vaga como Office boy em uma transportadora e que podia me ajudar”, lembra. Naquela semana, ele foi contratado. Era o começo de um sonho.

César começou a trabalhar na companhia com 20 anos de idade, infelizmente a mãe dele não viveu por muito tempo para ver o filho feliz. Ela morreu vítima de um infarto naquele mesmo ano. Perder a mãe foi difícil para César, mas ele reuniu forças para continuar trabalhando no emprego dos sonhos. No escritório, ele organizava documentos, entregava cartas e recepcionava pedidos. Com 22 anos de idade, ele foi promovido para auxiliar de escritório e começou também a auxiliar nas demandas do departamento financeiro. Ele emitia notas fiscais, organizava relatórios e também o pagamento de terceirizados. Despesas com abastecimento de veículos e motoristas também eram suas responsabilidades.

Anos depois, César integrou o departamento de Controladoria da empresa e começou a acompanhar a contabilidade e faturamento da companhia. “Lá eu descobri que adorava mexer com números e planilhas”, afirma. Após cinco anos na empresa, César assumiu a liderança de um pequeno departamento, a área de abastecimento. Naquele departamento, ele tinha dois funcionários que lhe auxiliavam com a organização das notas fiscais emitidas ao abastecer os veículos, além de verificar que cada caminhão estivesse com combustível suficiente. “O fato de coordenar dois funcionários, cada um com um temperamento diferente, me ajudou a desenvolver um espírito de liderança”, afirma. Hoje, César é reconhecido entre os amigos pela sua empatia e capacidade de entender as diferenças de cada pessoa.

Durante 8 anos e 10 meses, ele trabalhou naquela transportadora. Neste período, César foi o funcionário mais feliz da empresa. Mas, em 2004, em um processo de reestruturação da companhia, o sonho ficou travado. Era o desemprego batendo na porta.

À procura da felicidade
Com a notícia do desemprego, os sonhos de César se truncaram. Mas, ele nunca esqueceu a sensação de trabalhar com o que se ama. Enquanto a recolocação não chegava, ele trabalhou como freelancer em diversas áreas. Foram dois anos na luta, mas um dia a necessidade venceu. “Eu tinha um carrinho de mão e perto de casa tinha uma chácara. Então decidi comprar verduras e vender no meu bairro”, conta. César permaneceu vendendo verduras no bairro dele por 5 anos. Todos os vizinhos o elogiavam pelo seu dom de convencer as pessoas, além de ser muito atencioso. Mas, o coração de César ficava aflito lembrando do sonho de ser auxiliar administrativo.

Além de verduras, ele vendeu salgados no Jardim Paraíso. E apesar da crise, ainda teve tempo de fazer trabalho voluntário. “Um dia conversando com uma vizinha, ela abriu o coração e disse que estava desesperada e sem dinheiro para pagar o aluguel. Ela só tinha 0.50 centavos no bolso. Então decidi ajudar ela a vender reciclagem. Montei uma lista de materiais que poderiam ser reciclados e todo dia enquanto vendia verduras distribuía para as pessoas. Deu certo, fiz isso voluntariamente por 2 anos”, lembra. Convencer as pessoas do bairro a reciclar fez César enxergar que tinha o talento da persuasão.
Em 2010, surgiu uma oportunidade de trabalhar como auxiliar administrativo. Um trabalho temporário na Itaipava. Apesar de não ter chances de efetivação, César abraçou a oportunidade e ficou 3 meses trabalhando na empresa. Sem vaga fixa, quando saiu da Itaipava continuou vendendo verduras.

Vocação não tem lugar
Em 2011, um amigo convidou César para trabalhar como atendente em uma pizzaria do bairro. César aceitou, e permaneceu naquele emprego durante 3 anos e 10 meses. Ele amava tanto a idéia de ser um auxiliar administrativo, que sem perceber acabou exercendo funções semelhantes na pizzaria. Além de atender os clientes, ele realizava o fechamento do caixa, atendia ao telefone, organizava os pagamentos dos motoboys, e sempre que necessário auxiliava no controle financeiro. Naquela época, ele não conseguia enxergar que seria possível ser um auxiliar administrativo mesmo fora do escritório. Anos depois, ao conversar com uma especialista em RH ele teve essa visão. Com o salário que ganhava na pizzaria, ele decidiu investir em uma faculdade para se aproximar do tão sonhado emprego de auxiliar administrativo. Com muito esforço conseguiu entrar na Universidade de Guarulhos para cursar Gestão de RH. Esta foi a segunda grande conquista da vida dele. “Por muitos anos passava de ônibus na frente daquela faculdade. Sempre pensava: Um dia eu vou estudar lá”, conta emocionado. Ainda na faculdade, ele decidiu tentar um estágio na área, mas novamente se frustrou. “Mandei 900 currículos para diversas empresas, mas nunca recebi retorno”, conta aflito. Estes foram os anos mais tristes da história de César, que achava que a oportunidade de conquistar seu sonho estava muito distante. Após a formatura, não restou de outra que permanecer na pizzaria. Ele trabalhou nesse ramo durante quase 8 anos, entre uma pizzaria e outra sempre enviava um cv, a esperança se mantinha viva.

Em 2020, foi pego de surpresa pela quarentena e perdeu sua única fonte de renda. Com os comércios fechados, a pizzaria também fechou. E ele voltou às filas do desemprego.

O poder do amor
Atualmente, com 44 anos de idade, César ainda luta incansavelmente por conquistar o seu sonho: trabalhar como auxiliar administrativo. Quando liguei para ele, num sábado à tarde, ele me questionou: “Sabe a palavra amor?”, na sequência acrescentou “Quando uma mãe ganha um nenê, ela só consegue pensar nele! Já ouviu falar da Glória Perez? Quando ela ajuda atores/atrizes desempregados, mesmo que seja um trabalho temporário, eles fazem aquilo com amor e se destacam. Quando você ama o que faz, você se entrega”, comentou.

A relação de César com o sonho de ser um auxiliar administrativo é uma relação de AMOR. Que começou lá atrás quando ele recolhia lixo em um escritório com 18 anos de idade, e aquela paixão permaneceu viva por 26 anos apesar de tantos baques da vida. Se você já viveu uma situação semelhante, sabe bem do que estamos falando. Quando você sonha com algo, com todas as suas forças, e só precisa de 1 única chance para mostrar seu talento. Então, você se prepara, luta, enquanto muitas portas se fecham na tua cara. Te parece familiar?

Eu já passei por isso, mas tive a sorte que alguém me deu essa chance. Se hoje você tem o privilégio de trabalhar com o que você ama, provavelmente você teve a sorte de alguém te abrir uma porta. Se assim foi, te faço o convite para que ajudemos o César a conquistar o seu sonho. Quem sabe em breve a gente ouça ele pulando de alegria e gritando “Recolocado!!”.


Compartilhe a história desse profissional e o ajude a ter mais visibilidade